I - Trançado - KY

Descrição do Material/Técnica: 

 

Os trançados Kamayurá são uma categoria que aglomeram diversos artefatos manufaturados pela comunidade, desde cestarias, que são usadas cotidianamente para armazenamento ou transporte, até máscaras ritualísticas utilizadas nos diversos cerimoniais que fazem parte do universo cosmológico Kamayurá. 

A matéria-prima empregada para a confecção são as fibras vegetais encontradas na região do Alto-Xingu, em destaque estão o talo do buriti e o envira, mas também estão incluídas outras  palmeiras achadas na área. A manufatura envolve algumas etapas, sendo a limpeza, o corte e a secagem das fibras. 

O trançado pode ser fabricado para peças usadas no dia a dia e em atividades de subsistência, como os cestos, para armazenar ou transportar  comida ou objetos, ou ainda, redes e armadilhas para pesca e esteiras usada para espremer a mandioca e produzir a massa para o beiju. É interessante notar que nos Kamayurá, como grande parte dos povos xinguanos, há uma clara divisão sexual do trabalho, a cestaria doméstica é de uso feminino, já para pesca é de uso masculino. 

O resultado final dessas cestarias deixa nítido o excelente grau de refinamento dos indígenas na técnica de trançado, são muitos motivos gráficos, e alguns com significados além do decorativo, cosmológicos. 

 Por outro lado, as máscaras de fibra vegetal extrapolam o mero objeto, são usadas pelos povos xinguanos nos seus rituais, sobretudo nas cerimônias de cura do apapaatai. Para os povos xinguanos,  “as máscaras são como equipamentos de cura, cuja atuação ocorre simultânea ou posteriormente a terapias xamânicas de extração de substâncias patogênicas (« feitiços ») do corpo do doente.” (Barcelos Neto, 2010, p. 47). 

 

Bibliografia Consultada: 

Agostinho, Pedro. Kwarìp: mito e ritual no Alto Xingu. São Paulo, EPU, Ed. da Universidade de São Paulo, 1974. 

Barcelos Neto, Aristóteles. O despertar das máscaras grandes do Alto Xingu:: Iconografia e transformação. Revista de Antropologia da UFSCar, [S. l.], v. 2, n. 2, p. 43–66, 2010. DOI: 10.52426/rau.v2i2.26. Disponível em: https://www.rau2.ufscar.br/index.php/rau/article/view/26. Acesso em: 29 jul. 2025.

Dados da Sociedade: