I - Xavante - XV

Descrição do Material/Técnica: 

Os Xavante - autodenominados A’uwẽ – estão localizados no Estado do Tocantins, fazendo parte de um conjunto etnolinguístico conhecido como Acuen, pertencente à família linguística (Instituto Socioambiental, 2020). Eles vivem em regiões de cerrado, com cerca de 10 mil pessoas distribuídas em 55 aldeias e sete reservas.

Embora o direcionamento acerca do trançado Xavante ainda seja escasso, a literatura aponta uma forte relação entre a corporeidade e o movimento da cosmogonia feminina (Figura 1). Rezende (2018) ainda aponta que essa correspondência entre corpo, movimento e trabalho faz parte de  um ciclo de sustentabilidade da vida do povo A’uwẽ – garantido, majoritariamente, pelas mulheres dessa comunidade. 

 

Figura 1: Mulheres trançam cestarias com palha verde.

Fonte: Aracy Lopes da Silva (1949 - 2000). Disponível em: CESTARIA | Antropologia. Acesso em: 08/04/2026.s

 

Além disso, há uma estreita relação entre a pintura corporal e os adornos móveis, que funcionam como uma forma de linguagem visual utilizada para a identificação étnica, expressando o modo como o indivíduo se insere e se reconhece como membro de sua comunidade (Campos, 2006). Segundo o autor, essas expressões são formadas por pontilhados, quadrados, retângulos, tracejados e xadrezados com tonalidades extraídas nas cores vermelhas do urucum, negra do jenipapo e carvão, e, branca da argila.

Outro material presente na manufatura Xavante são as fibras de algodão, utilizados de forma torcida, no pescoço de forma cerimonial. Em cada extremidade, o algodão é desfiado formando um tufo, com um nó dado à frente, enquanto atrás são presas penas de gavião, de rabo de papagaio, do pássaro chamado sirudu, do beija-flor vermelho, do mutum ou arara-azul, de acordo com a função ritual ou mágica (Campos, 2006). Nos punhos e tornozelos, os Xavantes utilizam cordões de fibra vegetal. Esses adornos consistem em pequenos cordões torcidos feitos de fios de palha de buriti, enrolados em várias voltas e finalizados com um nó central. Segundo Müller (1979), esses enfeites parecem delimitar as áreas cobertas pela pintura corporal.

Essas práticas são reforçadas através das gerações, o que sugere uma prática viva, transmitida entre a comunidade. Como pode ser observado na Figura 2, e através da leitura feita por Ferreira (2015), a manufatura Xavante deve ser compreendida menos como um “artesanato isolado” e mais como parte de um sistema material e simbólico mais amplo, enquadrando o território e o ambiente como centrais para o modo de vida.

 

Figura 2: Criança xavante se diverte carregando cestaria trançada de palha.

 

Fonte: Aracy Lopes da Silva (1949 - 2000). Disponível em: CESTARIA | Antropologia. Acesso em: 08/04/2026.

 
Bibliografia Consultada: 

CAMPOS, Maria Cristina Rezende de. As formas e as reformas da identidade Xavante: Uma abordagem metodológica. II ENCONTRO DE HISTÓRIA DA ARTE – IFCH / UNICAMP. Rio de Janeiro, 2006.

 

FERREIRA, Mariana Kawall Leal. The Two of us Together. In: Mapping Time, Space and the Body. New Directions in Mathematics and Science Education p. 163–188. SensePublishers, Rotterdam, 2015.

 

INSTITUTO SOCIOAMBIENTAL (ISA). Povos indígenas no Brasil: Xavante. Disponível em: Xavante - Povos Indígenas no Brasil. Acesso em: 8 abr. 2026.

 

MÜLLER, Regina. A linguagem colorida dos Xavante. Revista de Atualidade Indígena. Brasília, v. 3, n.16, p. 25-33, 1979.

REZENDE, Maria Aparecida. A corporeidade da mulher Xavante: um movimento da cosmogonia. Tellus, ano 18, n.37, p.105-119, Campo Grande, 2018.

Dados da Sociedade: 
Dados da Identificação Física do Objeto: