PS - Paresí

Localização: 

Eles vivem principalmente em áreas do Chapadão dos Parecis, uma região de planalto com vegetação predominante de cerrado. Algumas das principais aldeias Paresí incluem Aldeia Wazare, Quatro Cachoeiras, Chapada Azul, Bacaval e Salto da Mulher.A Terra Indígena Utiariti é demarcada e homologada, mas os Paresí enfrentam desafios com relação à expansão do agronegócio na região, especialmente a monocultura de soja, o que tem gerado debates sobre o uso sustentável e tradicional do território.

 

Mapa de Ocupação: 

 

Dados Históricos da Comunidade: 
As primeiras referências aos Paresí datam do final do século XVII, quando bandeirantes paulistas começaram a explorar o sertão mato-grossense em busca de indígenas e, posteriormente, de riquezas minerais. Um desses bandeirantes, Antônio Pires de Campos, chegou a um vasto chapadão através do rio Sepotuba e chamou a área de “reino dos Parecis”, em homenagem ao povo que ali vivia. Ele ficou impressionado com a quantidade de pessoas e com o modo de vida pacífico, destacando também a organização política descentralizada dos Paresí — algo que provavelmente atraiu ainda mais a cobiça dos invasores, que passaram a caçar esse povo. (COSTA, 1985)
Mais ao norte, Campos encontrou outros povos com costumes parecidos, mas com algumas diferenças linguísticas. Ele os chamou de “Mahibarez”. De acordo com o etnólogo Max Schmidt, esses seriam na verdade subgrupos dos Paresí: os Mahibarez, ou Wáimare, e os Parecis, identificados por ele como Kazíniti, conforme a localização de suas aldeias.
Com o avanço da exploração de minas em Cuiabá, aldeias Paresí próximas acabaram se tornando pontos de fornecimento de mão de obra escravizada e alimentos. Com o declínio da mineração no início do século XIX, a exploração se deslocou para Diamantino, onde os Paresí passaram a ser usados não só como força de trabalho nas minas, mas também como remadores nos rios, como o Tapajós. Com a chegada da extração de borracha na região — especialmente em áreas ricas em seringueiras, como os sertões dos Paresí — muitos deles foram usados como guias e trabalhadores em troca de produtos industrializados. Como suas aldeias ficavam perto das cabeceiras dos rios, a presença dos seringueiros acabou expulsando vários grupos de suas terras. (PASCA, 2006).
Em 1908, o então coronel Cândido Rondon, que mais tarde fundaria o Serviço de Proteção ao Índio (SPI), coordenava a construção da linha telegráfica na região oeste de Cuiabá e teve contato direto com os Paresí, que já estavam sendo explorados pelos seringueiros. Rondon os convenceu a se aproximarem da linha, construiu escolas e capacitou alguns indígenas para ajudar na manutenção do sistema. Com o tempo, o telégrafo caiu em desuso com a chegada da radiofonia, e a linha foi abandonada. Nos anos 1960, uma estrada foi construída seguindo o traçado da antiga linha, e na década de 1980 foi pavimentada, abrindo ainda mais a região ao desenvolvimento.
A partir de 1946, Utiariti passou a ser um centro educacional, administrado pela Missão Anchieta (MIA). Os religiosos controlavam o cotidiano dos internos, proibindo o uso da língua nativa e incentivando casamentos entre diferentes grupos nativos ali reunidos.
Algumas aldeias Paresí têm sua origem ligada a esse internato. Um exemplo é a aldeia Bacaval, formada por Paresís que antes viviam na região do rio do Sangue, em uma aldeia chamada Zotosehalí. Quando foram deslocados para Utiariti, suas terras foram ocupadas por fazendas. Com o fechamento do internato, o grupo fundou Bacaval com o objetivo de plantar arroz e milho em um acordo com a Missão, que forneceria estrutura e, em troca, ficaria com a produção, pagando em mantimentos, roupas, calçados e medicamentos. (COSTA, 1985)
A aldeia Sacre também foi criada nesse contexto, reunindo outros membros de Zotosehalí que foram realocados pelos padres para trabalhar na extração da seringa. (ISA, 2006)
 
Bibliografia Consultada: 
COSTA, Romana Maria Ramos. [Título da dissertação não informado]. 1985. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1985.
PASCA, Dan. Nos tentáculos do agronegócio. In: INSTITUTO SOCIOAMBIENTAL (Org.). Povos indígenas no Brasil: 2001/2005. São Paulo: Instituto Socioambiental, 2006.
INSTITUTO SOCIOAMBIENTAL. Povos indígenas no Brasil: 2001/2005. São Paulo: Instituto Socioambiental, 2006.
PROJETO ‘Povo Paresí-Kozarene retomando a medicina tradicional’. Enviado pelas comunidades das aldeias Rio Verde, Kotitiko, Kamaé e Kalanaza. Prêmio Culturas Indígenas – Edição Xicão Xukuru. São Paulo: SESC-SP, 2008.
PROJETO ‘Waymaré Niriyawenw Waiye... Kehala (Os Waymaré têm fala bonita)’. Enviado pelas aldeias Bacaval, Vale do Papagaio, Sacre II e Bocaiuval. Prêmio Culturas Indígenas – Edição Xicão Xukuru. São Paulo: SESC-SP, 2008.
 
Subcoleção Material/Técnicas: