Localização:
A partir da década de 60, devido a conflitos com os Waujá e mortes por doenças respiratórias provocadas pelo contato com o "homem branco", o que restou da comunidade Txicaó dispersou-se pelo Alto Xingu.Atualmente, administram o Posto Indígena Pavuru, constituindo neste local uma aldeia, sendo muito envolvidos na defesa do território do parque.
Mapa de Ocupação:

Dados Históricos da Comunidade:
Os Txicaó é uma comunidade também conhecida pelo seu exônimo Ikpeng, que pertence à língua Carib.
Há pouco conhecimento da existência de documentos escritos a respeito dos Ikpeng antes de sua entrada no Rio Xingu. De acordo com relatos do Txicaó, os Txipaya eram seus grandes aliados na região do Xingu, com estes trocaram técnicas, cantos e elementos rituais (Nimuendaju, 1948 e Snethlage, 1910).
Em meados de 1850, os Txicaó ocuparam através de conflitos com outras comunidades da região, a bacia do Teles Pires-Juruena. De acordo com Nimuendaju (1948), os Txicaó capturaram por volta do ano de 1900, um grupo de "homens brancos e negros", que possuíam cavalo e gado, e que curiosamente, os chamavam de Tupi. Para o autor, o grupo capturado, tratava-se na verdade dos Bakairi de Paranatinga, que devido o contato com os "não-índios", se vestiam como as pessoas da cidade.
A ocupação territorial da comunidade Txicaó corresponde à primeira metade do século XIX. A chamada "pacificação dos Ikpeng", através dos irmãos Villas-Bôas significou uma ruptura na história desta comunidade, antes temíveis guerreiros, passaram a se comportar de modo mais brando com os outros povos da região. A captura de uma Waujá em 1960, e através destas, a transmissão de doenças respiratórias, provocou a morte da metade da população Txicaó.
Na mesma década de 60, os Txicaó entram em uma fase de dependência sanitária e alimentar, e passam a receber o apoio do posto indígena. Por esta razão, ocorreu uma grande dispersão mas, as relações com as outras comunidades foram difíceis, graças aos ressentimentos da época das guerras.
No início da década de 70, conseguiram se reagrupar e formaram uma aldeia no Posto Indigena Leonardo Villas Boas, na convergência do rio Kuluene e o rio Tatuari. No final dos anos 70, mudaram-se para o Médio Xingu, abaixo da aldeia Terra Preta. Atualmente, o posto indigena é administrado pelos Txicaó, e a partir de então protegido por essa comunidade.
Bibliografia Consultada:
GALVÃO, Eduardo. Diários do Xingu (1947-1967). In: GONÇALVES, Marco Antônio Teixeira (Org.). Diários de campo de Eduardo Galvão : Tenetehara, Kaioa e índios do Xingu. Rio de Janeiro : UFRJ, 1996. p. 249-381.
NIMUENDAJÚ, Curt. As lendas da criação e destruição do mundo como fundamentos da religião dos Apapocuva-Guarani, São Paulo, Hucitec, 1948
RIBEIRO, Berta G. Diário do Xingu. Rio de Janeiro : Paz e Terra, 1979. 266 p.
SIMÕES, Mário E. Os "Txikão" e outras tribos marginais do alto Xingu. Rev. do Museu Paulista, São Paulo : USP, v.14, p.76-105, 1963.
SNETHLAGE, Emilie. 1910 - Zur Ethnographie der Chipaya und Curuahé. Zeitschrift für Ethnologie, : 612-637.
VILLAS BÔAS, Cláudio; VILLAS BÔAS, Orlando. A marcha para o oeste : a epopéia da expedição Roncador-Xingu. São Paulo : Globo, 1994. 615 p.