Descrição do Material/Técnica:
A produção cerâmica dos indígenas Mehinaku é de influência Wauja, de acordo com os wauja, eles são os únicos indígenas ceramistas do Xingu. Contudo, há de fato, entre os Mehinaku, alguns ceramistas. Os Wauja afirmam que esses possuem ascendência Wauja, ou que aprenderam com Wauja residentes em suas aldeias. Dessa forma, o casamento interétnico entre as comunidades é uma hipótese para explicar como os Mehinaku adquiriram o conhecimento técnico.
Dentro da cultura Wauja, a cerâmica extrapola a simples noção de produção de meros objetos. Para os Wauja, a manufatura é definidora da sua identidade enquanto Wauja, é através do aprendizado da modelagem que os Wauja se tornam Wauja, nas palavras do chefe Atamai, “panela é escola mesmo: panela é escola do Waurá”.
Não podemos defender a hipótese de que os Mehinaku compartilham o mesmo significado sobre a cerâmica. Porém, os que conhecem e reproduzem a técnica, certamente conhecem a cosmologia wauja sobre a cerâmica. Portanto, a etnoclassificação seguirá a mesma da cerâmica wauja.
As panelas são organizadas por cinco classes, internamente estruturadas em subclasses , por tamanho decrescente. As dimensões (o diâmetro e a altura) determinam os usos das panelas e a subclasse dentro da classe. As classes são: kamalupo, Makula, Héjé, Tsaktsak e panelas “zoomorfas”.
A técnica de manufatura das panelas é um processo que passa por oito a dez etapas. A argila (akukutai) é recolhida nos depósitos do rio e da lagoa, depois são levadas até a aldeia, lá deve secar ao sol por cerca de cinco dias, após seco, deve ser queimado numa fogueira, e se torna um pó ocre (akukupe).
Antes de iniciar a modelagem de uma panela, a argila passa por um processo de limpeza. Em seguida, as vasilhas são iniciadas pelo fundo, e pedaços de argila são adicionados de baixo para cima. Ao finalizar a modelagem, a peça será exposta ao sol, podendo levar dias secando, o próximo passo é a raspagem, tradicionalmente usava-se conchas de um molusco (ulu, ou ulutãi), mas foi substituída por colheres ou tampas de latas. Segue então, o lixamento, era usado o kausepése, uma folha de textura, hoje as lixas industriais são largamente aplicadas no processo.
A última etapa que antecede a queima é o alisamento da peça com uma pedrinha redonda. A queima é feita ao ar livre, e dura de três a quatro horas. Por fim, a pintura é o último estágio da manufatura, as tintas usadas são, a yuri (cor negra), feita com fuligem e um aglutinante vegetal. Outra tinta usada é a mãuatã (cor negra), trata-se de um pigmento vegetal extraído da casca de uma árvore. Além disso, o topepe (cor avermelhada) é outra tinta utilizada, é um mineral encontrado nas lagoas e rios da região, diferente da yuri e mãuatã, é aplicada na peça antes da queima, e por último, o yuku (urucum) é também usado com tinta.
Bibliografia Consultada:
BARCELOS NETO, ARISTÓTELES. Processo criativo e apreciação estética no grafismo Wauja. Cadernos de Campo (São Paulo - 1991), São Paulo, Brasil, v. 12, n. 12, p. 87–110, 2004. DOI: 10.11606/issn.2316-9133.v12i12p87-110. Disponível em: https://revistas.usp.br/cadernosdecampo/article/view/53888.. Acesso em: 9 jul. 2025.
BARCELOS NETO, Aristóteles. A cerâmica wauja: etnoclassificação, matérias-primas e processos técnicos. Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia, São Paulo, Brasil, n. 15-16, p. 357–370, 2006. DOI: 10.11606/issn.2448-1750.revmae.2006.89727. Disponível em: https://revistas.usp.br/revmae/article/view/89727.. Acesso em: 9 jul. 2025.
Dados da Sociedade:
Dados da Identificação Física do Objeto: