IV - Cordões e Tecidos - KJ

Descrição do Material/Técnica: 

Na comunidade Karajá ou Iny (como se autodenominam), os cordões e tecidos têm extrema relevância para a coletividade, uma vez que está integralizado em sua cultura e carregam não apenas elementos de utilidade, mas também carregam um significado simbólico relacionados a organização social, a cosmologia e a relação com a identidade cultural (Ribeiro, 1987). Os cordões Karajá são confeccionados, geralmente, a partir de matérias naturais como fibras de vegetais, como a de Buriti, e em alguns casos, de algodão fiado manualmente (Ribeiro, 1988). Além disso, os cordões são utilizados principalmente na tecelagem dos artesanatos, como colares, pulseiras, tornozeleiras, cintos corporais, faixas e na amarração de outros adornos (Idem, 1988).
Às categorias de trançado e têxteis, destaca-se por serem frequentemente utilizados como denominações genéricas para abranger conjuntos amplos de artefatos. Conforme aponta Berta Ribeiro (1988), as fronteiras classificatórias nem sempre são evidentes ou consistentes, uma vez que os materiais podem apresentar diferentes acabamentos e configurações, resultando em múltiplas combinações técnicas.
Ademais, mesmo com a introdução de processos de mecanização em outros contextos, o princípio que fundamenta a produção de tecelagem permanece essencialmente inalterado desde sua origem em períodos pré-cerâmicos. Pois, a construção têxtil baseia-se na inter-relação entre a natureza das fibras, enquanto matéria-prima, e as técnicas de entrelaçamento empregadas. Assim, fibras inicialmente macias, como as derivadas do algodão ou as fibras de Buriti, podem ser transformadas em estruturas rígidas conforme o tipo de trama adotada, evidenciando que a forma final dos artefatos resulta diretamente da relação entre material e construção.
Essa perspectiva permite compreender que os artefatos Karajá são importantes na comunidade, não apenas em sua dimensão funcional, mas também em suas potencialidades estruturais e expressivas, que representam a simbologia, a cultural e o funcionalismo social dos Karajá.

Bibliografia Consultada: 

RIBEIRO, Berta G. O índio na cultura brasileira. Rio de Janeiro: UNIBRADE; UNESCO, 1987.

RIBEIRO, Berta Gleizer. Dicionário do artesanato indígena. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo (EDUSP); Belo Horizonte: Itatiaia, 1988.

MUSEU ANTROPOLÓGICO (UFG). Cinta trançada Karajá. disponível em: Cinta – Acervo Museu Antropológico – UFG

MUSEU ANTROPOLÓGICO (UFG). Esteira Karajá. disponível em: Esteira – Acervo Museu Antropológico – UFG

CARVALHO, Mônica Lima de. Tradição visual: políticas de conservação de acervos etnográficos a partir de práticas inclusivas. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais, Escola de Belas Artes, 2020.

 
Dados da Sociedade: