Localização:
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Margens do rio Araguaia, nos estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso e Pará.
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Dados Históricos da Comunidade:
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Os Karajá têm o rio Araguaia como um eixo fundamental de referência mitológica e social, definindo seu território em uma extensa faixa do vale do rio Araguaia, incluindo a ilha do Bananal, a maior ilha fluvial do mundo, com aproximadamente dois milhões de hectares (Ricardo, 2004). Suas aldeias estão localizadas preferencialmente próximas aos lagos e afluentes do rio Araguaia e do rio Javaés, bem como no interior da ilha do Bananal. Cada aldeia estabelece um território específico de pesca, caça e práticas rituais, demarcando internamente espaços culturais conhecidos por todo o grupo. Historicamente, os Karajá estiveram em disputa com outros povos indígenas, como os Kayapó, os Tapirapé, os Xavante, os Xerente, os Avá-Canoeiro e, menos frequentemente, com os Bororo e Apinayé, com o objetivo de salvaguardar seu território (Ricardo, 2004). Como resultado deste contato, houve a troca de práticas culturais entre os Karajá, os Tapirapé e os Xikrin (Kayapó). Com relação ao contato com a sociedade nacional, os Karajá tiveram duas frentes de contato importantes. A primeira foi representada pelas missões jesuítas da Província do Pará, com a presença do Padre Tomé Ribeiro em 1658, que se encontrou com os Karajá do baixo Araguaia (Ricardo, 2004). A segunda frente de contato está relacionada com as bandeiras paulistas rumo ao Centro-Oeste e Norte do Brasil, como a expedição de Antônio Pires de Campos, que ocorreu entre 1718 e 1746. A partir desses contatos, os Karajá foram obrigados a manter um contato constante com a sociedade nacional. Suas aldeias foram alvos de inúmeras frentes religiosas, planos governamentais, visitas de presidentes da República, como Getúlio Vargas (1940) e Juscelino Kubitschek (1960), e construção de um hotel de turismo luxuoso (Ricardo, 2004). Além disso, os Karajá receberam inúmeras visitas de pesquisadores, escritores e jornalistas, que retornavam às suas cidades com objetos culturais, como artefatos plumários, remos e bonecas de barro feitas pelas mulheres. O processo de contato permanente dos Karajá com a sociedade nacional fez com que eles adotassem bens culturais da sociedade envolvente, como alimentação, língua, hábitos, ensino e religião (Ricardo, 2004). No entanto, essa adoção de bens culturais não significa que os Karajá tenham perdido sua identidade cultural. Pelo contrário, eles continuam a manter suas práticas culturais tradicionais, como a pesca, a caça e rituais.
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Bibliografia Consultada:
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BONILA JACOBS, Lydie Oiara. Reproduzindo-se no mundo dos brancos : estruturas Karajá em porto Txuiri (Ilha do Bananal, Tocantins). Rio de Janeiro : Museu Nacional, 2000.
BUENO, Marielys Siqueira. Macaúba : uma aldeia Karajá em contato com a civilização. Goiânia : UFGO, 1975. 92 p. EHRENREICH, Paul. Contribuições para a etnologia do Brasil. Rev. do Museu Paulista, São Paulo : Museu Paulista, v. 2, n.s., p. 7-135, 1948. RICARDO, C. A. (2004). Os Karajá: uma sociedade tradicional do Médio Araguaia. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo. |
Subcoleção Material/Técnicas: