IV - Cordões e Tecidos - KJ

Descrição do Material/Técnica: 

A manufatura de trançados é um elemento de suma importância no sistema complexo da comunidade Karajá, uma vez que representa a cultura desse povo e perpassa pela confecção de colares, brincos, esteiras, flechas e, principalmente, os cestos. O processo de manufatura no trançado Karajá envolve, principalmente, seis tipos de fibras vegetais, são elas: babaçu, buriti, piaçaba, tucum, bacaba e manajá. O cruzamento das fibras é feito por técnicas diversas na alternância da matéria prima, criando grafismos variados.

 As técnicas de trançado mais utilizadas por essa comunidade são: cruzada (ou cruzada em diagonal), no qual é feita de com folíolos de “olho” de palmeira e não com taliscas de cana (Ribeiro, p. 37, 1985); a técnica enrolada, que é referida por uma técnica de fios duplos, equivalente a técnica entrecruzado torcido, ou simplesmente torcido; dobrada, onde requer auxílio de costura de junção das malhas em trabalho, além disso, “São semi-folíolos verticais sobrepondo-se parcialmente em sentido longitudinal, dobrados sobre si mesmos e fixados entre si por pontos de costura, após terem envolvido os suportes que· dão formato à cesta"; espiralada, corresponde a segunda classe de trançado, sendo essas denominadas por costurados (Ribeiro, p. 38, 1985). Para os Karajá, os trançados largos (cit-deré), são usados principalmente em artefatos de confecção rápida e de uso imediato. Já os trançados estreitos (cit-sinion), são utilizados para artefatos mais sofisticados. Estes são considerados os melhores, pois são feitos com muito cuidado e esmero. 

O exame dos aspectos técnicos ligados ao trançado Karajá demonstra a sua finalidade junto à comunidade, como objetos de transporte, depósito, adornos pessoais e decoração.

 
Bibliografia Consultada: 

TAVEIRA, Edna Luísa de Melo. Etnografia da cesta Karajá. Revista do Museu Paulista, Nova Série, v. XXVII, São Paulo, 1980.

RIBEIRO, Berta Gleizer. A arte do trançado dos índios do Brasil: um estudo taxonômico. Belém; Rio de Janeiro: Museu Paraense Emílio Goeldi; Fundação Nacional de Arte; Instituto Nacional do Folclore, 1985

 
Dados da Sociedade: